28 de abril de 2011

simple things

Fazer arranjos de flores sem perceber nada do assunto.
Ficar surpreendida com o resultado.


Ver (e comer) rebuçados da Régua à venda na rua.

Ir ao tanque.

Cheirar laranjeiras em flor.


26 de abril de 2011

... Lázaro, Ramos, Páscoa estamos

De domingo de Ramos para domingo de Páscoa, os campos minhotos, acabados de arar e semear, brotaram numa sinfonia de verdes.
Embora tenha passado boa parte da minha infância em contacto com a natureza e com os ciclos da produção agrícola continuo a achar surpreendente a rapidez com que a terra-mãe dá sinais do fruto do trabalho do homem, numa semana apenas, com a ajuda da boa chuva e de temperaturas amenas.

11 de abril de 2011

Pax Julia

De Beja (Pax Julia no Império Romano) conta a lenda que, nos primórdios, encontrando-se o povo sob grande terror pela presença, nas densas matas que rodeavam o povoado, de monumental cobra venenosa, engendrou colocar nas matas um touro previamente envenenado que acabaria como repasto do funesto bicho, pondo fim a tamanha aflição.  
 

Beja é casario perfeitamente caiado, é também muita cor e graça, é vistas de um horizonte imenso, é gente afável e muita História. É ruas com aroma de glicínias e laranjeiras.


O edifício do museu regional de Beja (Museu Rainha D. Leonor) por si só é algo a não perder com deslumbrantes exemplares da azulejaria portuguesa e hispano-árabe, equilibradas proporções, belíssimos pórticos manuelinos.

Esqueci-me de fotografar umas meias riscadas de laranja e azul-sulfato, outras de rosa-velho e amarelo, miniaturas de capotes de golas de raposa, saquinhos de retalhos de tamanhos variados - inconsciente motivo para um regresso.

5 de abril de 2011

À cora


Os dias de Sol são bons para isto.
Esta toalha, com uma linda e enorme renda de filet, já na juventude da minha Avó era por si considerada muito antiga, razão pela qual nunca a usou. Eu suspeito que seria também porque a toalha não se enquadrava na estética das cambraias e dos linhos, do bordado da Madeira e do richelieu.

Esteve décadas guardada em arcas, até à altura em que a minha Avó me ofereceu um lote "de coisas bonitas" ao qual juntou esta toalha, ressalvando não pertencer à categoria das primeiras por ser um "bocadinho tosca". E tem estado guardada deste então.

Passados tantos anos de confinamento, pareceu-me bem que visse a luz do século XXI.
Entretanto, adquiriu as marcas fatais de mais de um século de isolamento.

Guardo alguns objectos com os quais tenho uma relação tensa, não os uso nem nunca vi quem deles fizesse uso, o que conflitua com o ímpeto de me descartar daquilo a que não atribuo claramente um significado ou em que não vislumbro memórias.

Olhando para a toalha à cora, acho-a maravilhosa e fico feliz por a minha Avó ter intuído que eu a iria conservar.

4 de abril de 2011

Été


Esta revista a que não encontro referências (algures dos anos 60?) é fonte de inspiração para  voltar a cortar, montar e coser estes e outros tecidos.

2 de abril de 2011

- mãe, tinha uma ideia para te contar mas perdi-a...
- e onde é que ela estará?
- eu não sei. Ainda não conheço bem o corpo humano...