23 de fevereiro de 2011

Pamplona

O meu filho, de 5 anos, parece lidar muito bem com a frustração.
Quando lhe é dito que irá parar de jogar wii por serem quase horas de ir dormir, sem zanga e num ápice, desenha uma consola, respectivos comandos e ecran de televisão, recorta-os e coloca-os aos pés da cama, enquanto se deita pacificamente.
O mesmo aconteceu quando lhe viu ser negado o evidente direito a ter um telemóvel. Em poucos instantes, vários telemóveis, de diferentes marcas e modelos, fidelizados a diferentes redes, proliferaram lá por casa, decalcados para o papel com surpreendente detalhe e rigor, devidamente recortados e dispostos em todos os sítios onde é comum encontrar telemóveis.
Por isso, quando lhe disse que iria uns dias em trabalho a Pamplona, respondeu que ele iria também para ver essa cidade feita de papel. Depois de alguns instantes, percebi a óbvia associação entre Pamplona e "papelona" e a frustração provocada pela ausência da mãe.
Pamplona não é feita de papel, e não fora Hemingway e o encierro de San Fermin, julgo eu seria conhecida de muito poucos. Capital do Reino de Navarra, é uma cidade do norte da Península, com tudo o que isso significa de história, de belíssimas paisagens de bosques e grutas, e de identidade e tradição.
Trouxe-lhe as fotografias para que veja de que é que Pamplona é feita.

14 de fevereiro de 2011

xaile das conchas

O padrão do meu xaile de bébé está nesta revista japonesa que encontrei aqui.
Achei tão engraçada a coincidência porque foi um ponto que procurei muito tempo sem sucesso e já achava que seria uma raridade do crochet português, perdida na memória das nossas avós.
Não sei ler japonês mas adorava saber o nome deste ponto. Para mim sempre foi o xaile das conchas.

a propósito de Barcelona

ou, como lá perferem, bəɾsəˈɫonə (em catalão).
Na minha escala de preferências, a seguir a Lisboa, é a segunda (ok, a terceira) das minhas cidades preferidas da Península.


É uma cidade que nos convida a olhar para cima, construída em direcção ao céu e voltada para o mar, sem que para isso tivesse que optar por arranha-céus ou por docas de maré vaza. Não sei se esta "tendência" estética foi uma consequência da alma de quem lá vive (e viveu) ou se pelo contrário é ela que marca, desde a infância, a mentalidade dum povo que não gosta de olhar para baixo (nem se deixa limitar pelo que ficou atrás).  

Em Espanha, bem como em muitos outros países, é notório o gosto com que promovem o que é deles, quer quando o que têm é excelente, ou apenas bom, quer mesmo quando não é nem uma coisa nem outra. E não se diga que se trata "apenas" de turismo. O turismo implica imenso, convicção aos que o oferecem e exigência aos que o procuram.
É neste ponto do raciocínio que me descubro cansada de encontrar em Portugal belezas atrás de tabiques, tesouros fechados ao público, monumentos não contextualizados, muitas vezes nem sequer identificados, e muitas mais nem mesmo iluminados. Em suma, reconheço-me cansada do que é nosso nas mãos de quem não no-lo deixa ver.
Há quem insista em fazer de Portugal um sítio envergonhado de si e do seu passado. São seres profundamente politizados e muito remotamente educados, que guardam nos seus mal talhados bolsos as chaves das nossas histórias. Em processos auto-justificativos, reelaboram "novas" teses fundadas em duvidosas correntes museológicas, o mais das vezes ultrapassadas.
Abrem exposições, cobram-nos bilhetes para oferecerem as páginas, em ponto grande, dos textos da nossa 4ª classe, como que de uma lenta e paternal preparação se tratasse, para que um dia, então sim, estejamos preparados para entender aquilo que, para já, se encontra fechado com uma chave que só a alguns é dado guardar.
Têm medo, medo de que, nos museus, arquivos e monumentos que, em hora de má memória, lhes cairam nas mãos, brilhem os dourados, as nossas rendas e brocados, os nossos barros, as palavras, batalhas e ideologias, o nosso imenso exagero e a nossa exaltação, a nossa identidade, a nossa gente.

E é com isto que verdadeiramente não pode a mediocridade de alguns dos que guardam as chaves do que é nosso, é a isto que não resistem as suas identidades, forjadas na antítese do que é Portugal.

9 de fevereiro de 2011

Eu do grupo

A expressão não é minha (D. Anzieu) e ocorreu-me quando vi  a manta de retalhos pronta depois de se ter vindo a fazer em várias sessões de formação com a Rosa Pomar.

Seguiu de perto uma das minhas mantas de retalhos preferidas de sempre;
Os tecidos são de designers maravilhosos que não resisto a coleccionar (Heather Ross, Philip Jacobs, Denyse Schmidt, Kaffe Fassett, Martha Negley...) mas também da feira de Braga que aprendi a gostar frequentar com a minha Mãe;
As sugestões das várias mulheres presentes enriqueceram-na;
Mãos críticas questionaram-na um pouco mais do que ontologicamente;
Este olhar criativo e resiliente guiou-me na selecção das cores e padrões e não me deixou partir sem a terminar.

De estritamente meu a manta de retalhos tem muito pouco o que, parece-me, não podia estar mais de acordo com a sua natureza.

6 de fevereiro de 2011

Beiroa à japonesa



Cá por casa, quando vimos a meada de Beiroa desfeita, pareceu-nos consistente, tenra e luzidia como massa de arroz japonesa e não resistimos a esta brincadeira.

Com uma meada da apetitosa lã, uma receita deste lindíssimo livro japonês de crochet, e com esta colher de pau (3.5mm) confeccionámos um cachecol que agradou à mais exigente das gourmets e que teve honras de fotografia e tudo!

3 de fevereiro de 2011

afinidades (2)

Há uns meses atrás, vi este livro à venda na Retrosaria e achei-o tão atractivo que de imediato liguei para a Rosa pedindo para me reservar um exemplar.
Na recente rumagem às fotos "antigas", encontrei esta, com décadas, e subitamente percebi o que, com todas as devidas diferenças, tinha de tão familiar aquela capa.

2 de fevereiro de 2011

estendais da Afurada

Esta lindíssimas fotos da Diane fizeram-me correr para a caixa das fotografias procurar as que tirei no mesmo sítio há 13 anos. É um lugar em que o tempo não passa, tudo aparenta estar como antes, e as cores que na altura não pus no papel são ainda as mesmas que me ficaram na memória.

tempus fugit

ontem percebi o que significa quando, a pedido da F., folheei este livro (oferecido pelo meu Pai há cerca de 20 anos) para a ajudar a fazer os trabalhos de casa de música
Time is a train
Makes the future the past
Leaves you standing  in the station
Your face pressed up against the glass