15 de janeiro de 2011

da arte da mistura

Nos preparativos para a 2ª sessão deste workshop, porque não pude ir à primeira, tentei recuperar o tempo perdido dedicando-me a pensar e a ler um pouco mais sobre as intrigantes harmonias resultantes da combinação das cores, padrões, movimentos e temas. Claro que nada disto se aprende exclusivamente nos livros, como em muitas outras coisas em que as emoções têm um papel decisivo, é algo que vem essencialmente de dentro para fora.

Olhando para os meus tecidos (paralisada pelo instinto leigo de que nada melhor para os ordenar do que a mera sequência gradativa de cores e tons), ocorreu-me a expressão que a minha amiga usa, a propósito da habilidade para conciliar objectos e estilos diferentes e de diversas proveniências, "a arte da mistura". E não consigo deixar de sorrir. A "arte da mistura" pode também ser a arte de viver o dia-a-dia, a sabedoria na conciliação das diversas emoções, factos e percepções, na harmonização de tantas pessoas, objectos, lembranças, por vezes aparentemente inconciliáveis, que vamos acumulando em nós, e a que se somam o passado, o presente e futuro dos que connosco partilham a vida.



Fui ver como essa mistura tem acontecido por aqui e, concluo, nada que se pareça com uma mera ordenação gradativa das cores. E é com essa sensação (como poderia também dizer a minha amiga) de reassurance (nisto de palavras sintéticas, os ingleses batem-nos aos pontos) que vou voltar aos meus tecidos para preparar o workshop de terça.

5 de janeiro de 2011

Priscos

Nem só do pudim vive Priscos.
Nesta freguesia de Braga, tem lugar, de há uns anos a esta parte, um presépio vivo, uma verdadeira Belém à moda do Minho, que principia por ser uma fortificação romana, logo depois se torna Arca de Noé, culminando num aglomerado de casinhas onde se malha o ferro e fia o linho, onde se esculpem malgas de madeira e se bebe hidromel, onde se mói o milho e molda o barro. No meio de tudo, o Presépio. Sequências cronológicas à parte, que bom que é ver toda a comunidade empenhada e implicada, trazendo à luz, valorizando despretenciosamente as artes deste Minho, tão fustigadas por indústrias e depois por desemprego. Foi bom ver jovens mulheres e homens construindo artesanalmente pipos e cestas, sentados ao tear ou enchendo de velo de lã colchões às riscas.
Ainda há muito quem saiba fazer.