Os melhores passeios são aqueles sem outro propósito que não o de "dar uma volta".
Quando era criança, este tipo de passeios levaram-me a conhecer o Minho e Trás-os-Montes de lés-a-lés, a apreciar o cheiro das urzes, dos musgos e das giestas, a vibrar com as vendas de fruta (tângeras!) e de tremoços na beira da estrada, e com regatos gelados, e com feiras e romarias, e a conhecer bem o silêncio de zonas do nosso país que, já nessa altura, ficavam curtas de gentes.
As voltas que damos agora levam-nos muitas vezes pelo Alentejo fora...
O "e se fôssemos...?" determina o trajecto e, desta vez, subimos ao
castelo de Montemor-o-Novo.
A área do castelo e da antiga zona muralhada é enorme e aparentemente os vestígios arqueológicos da vida intra-muros serão abundantes e dignos de estudo. Das torres em ruínas, à nossa passagem, esvoaçaram aves de rapina, de porte digno de nota, e dos arbustos e flores desprendiam-se borboletas lindas e grandes, aos meus olhos leigos, invulgares. Por ali, nem vivalma mas, se calhar, foi da hora. Há episódios emocionantes da história de Portugal ligados a este lugar e dói vê-lo assim.
Segundo a minha filha (que me leu os pensamentos), estar aqui é como estar numa aventura d'
Os Cinco. O que não é nada mau, pensei, para uma tarde de Domingo quando se tem nove anos.
Numa pequena exposição temporária, alguns selos de pão que, entre os séculos XV e XVII, serviam para as famílias marcarem (e identificarem) o seu pão, cozido nos fornos comunitários.
Tomando devida nota de que, para a próxima, faremos um picnic no castelo, decidimos continuar em direcção ao
fluviário de Mora.
Nem o facto de as
lontras terem estado sempre a dormir fez diminuir a intensidade do entusiasmo que esta visita despertou nos mais pequenos.
Ao entardecer, de regresso, mais uma janela com cortinas de renda que ainda as há, e lindas, por esse Portugal fora.