Na minha escala de preferências, a seguir a Lisboa, é a segunda (ok, a terceira) das minhas cidades preferidas da Península.
É uma cidade que nos convida a olhar para cima, construída em direcção ao céu e voltada para o mar, sem que para isso tivesse que optar por arranha-céus ou por docas de maré vaza. Não sei se esta "tendência" estética foi uma consequência da alma de quem lá vive (e viveu) ou se pelo contrário é ela que marca, desde a infância, a mentalidade dum povo que não gosta de olhar para baixo (nem se deixa limitar pelo que ficou atrás).
Em Espanha, bem como em muitos outros países, é notório o gosto com que promovem o que é deles, quer quando o que têm é excelente, ou apenas bom, quer mesmo quando não é nem uma coisa nem outra. E não se diga que se trata "apenas" de turismo. O turismo implica imenso, convicção aos que o oferecem e exigência aos que o procuram.
É neste ponto do raciocínio que me descubro cansada de encontrar em Portugal belezas atrás de tabiques, tesouros fechados ao público, monumentos não contextualizados, muitas vezes nem sequer identificados, e muitas mais nem mesmo iluminados. Em suma, reconheço-me cansada do que é nosso nas mãos de quem não no-lo deixa ver.
Há quem insista em fazer de Portugal um sítio envergonhado de si e do seu passado. São seres profundamente politizados e muito remotamente educados, que guardam nos seus mal talhados bolsos as chaves das nossas histórias. Em processos auto-justificativos, reelaboram "novas" teses fundadas em duvidosas correntes museológicas, o mais das vezes ultrapassadas.
Abrem exposições, cobram-nos bilhetes para oferecerem as páginas, em ponto grande, dos textos da nossa 4ª classe, como que de uma lenta e paternal preparação se tratasse, para que um dia, então sim, estejamos preparados para entender aquilo que, para já, se encontra fechado com uma chave que só a alguns é dado guardar.
Têm medo, medo de que, nos museus, arquivos e monumentos que, em hora de má memória, lhes cairam nas mãos, brilhem os dourados, as nossas rendas e brocados, os nossos barros, as palavras, batalhas e ideologias, o nosso imenso exagero e a nossa exaltação, a nossa identidade, a nossa gente.Abrem exposições, cobram-nos bilhetes para oferecerem as páginas, em ponto grande, dos textos da nossa 4ª classe, como que de uma lenta e paternal preparação se tratasse, para que um dia, então sim, estejamos preparados para entender aquilo que, para já, se encontra fechado com uma chave que só a alguns é dado guardar.
E é com isto que verdadeiramente não pode a mediocridade de alguns dos que guardam as chaves do que é nosso, é a isto que não resistem as suas identidades, forjadas na antítese do que é Portugal.











































