27 de setembro de 2010

counting down to U2's concert!



I know a girl who's like the sea
I watch her changing every day for me
Oh yeah
One day she's still, the next she swells
You can hear the universe in her sea shells
Oh yeah
No, no line on the horizon, no line
I know a girl with a hole in her heart
She said infinity is a great place to start
She said "Time is irrelevant, it's not linear"
Then she put her tongue in my ear
No, no line on the horizon
No, no line
The songs in your head are now on my mind
You put me on pause
I'm trying to rewind and replay
Every night I have the same dream
I'm hatching some plot, scheming some scheme
Oh yeah
I'm a traffic cop, rue du Marais
The sirens are wailing but it's me that wants to get away
No line on the horizon
No, no line

24 de setembro de 2010

Anna the knitter

«The four parts of this paper try to give a picture of Anna Freud's views about adult psychoanalytic technique. (...) In a second part, a clinical sketch is presented of the author's own personal training analysis with Anna Freud, as an illustration of her actual analytic approach in practice. (...)

Another memorable episode happened at the end of several sessions [with Anna Freud] where I had been telling of my frustrations with my first training case at the Institute. The patient was a young woman who was not only very depressed, but also very soft-spoken - so soft that I could barely hear her words and missed some of them to my concern. With the help of my supervisor, I had tried out a number of interpretations in an attempt to solve this symptomatic soft whispering with me. Some attempts were made to interpret it as resistance: such as the patient was afraid of my reproach about her thoughts; or she felt guilty about them herself; or that all material was like sexual secrets; or that she didn't want me to hear anything about her, and so forth. I even tried some early (for me) transference interpretations along the lines that she wanted me to move physically closer to her to share her intimate feelings; or to comfort her; or to reassure her that I was concerned; and so forth. As I recounted these various failed attempts each day, Anna Freud seemed to increase the intensity of her knitting, which she did most of the time so silently that I hardly noticed it. Finally, in one session, she began to speak about the issue of my soft-spoken patient. I expected her to give a very important interpretation about my difficult situation. But what Anna Freud simply said was: "Tell her to speak up." This I did, and it solved that particular problem for the rest of a long analysis.»

Arthur S. Couch, London
A versão integral deste admirável testemunho encontra-se disponível aqui.

Aqui uma breve biografia desta extraordinária mulher.

7 de setembro de 2010

do pão

As sacas têm todas mais de 40 anos de idade. Foram feitas para serem diariamente cheias de cacetes de centeio estaladiços e pães de cantos de trigo fumegantes. As padarias foram escasseando e a minha Mãe insistindo em manter a uso as sacas do seu enxoval, não permitindo que se esvaziassem e que fossem esquecidas nas gavetas. Um dia, o cordão encarnado de uma desbotou irremediavelmente o que ditou a sentença das restantes. Como que numa cerimónia de rendição, não fosse mais alguma ficar ferida na luta contra os sacos de plástico, recolheram à arca, dobradas como bandeiras. Quando, de tempos a tempos, a arca se abria, encatava-me com cada uma delas por diferentes razões, por entre o aroma da cânfora. Porque os cravos pareciam verdadeiros embora feitos em ponto de cruz. Porque o tecido era o das almofadas onde eu no Verão dormia a sesta na varanda da minha Avó. Porque tinha um cordão laranja, dos verdadeiros, feito à mão, e já niguém sabia como se fazia. Por ser parecida com o edifício da panificação de Chaves, do Nadir, onde fui ao pão sozinha pela primeira vez. Por parecer irremediavelmente perdida e, não sei porquê, ter sido sempre a de que mais gostei.

4 de setembro de 2010

kids in the 80s...

Rosa diz que qualquer pessoa que tenha andado na escola no tempo do Dartacão pode ter tido uma camisola feita com esta lã. E ocorreu-me que qualquer criança desse tempo pode também ter tido umas luvas ou um gorro parecidos com estes.


24 de agosto de 2010

Tesouros da arca

Estas chitas muito antigas (primeira metade do séc. XX) pertencem às arcas de casa dos meus Avós mas não vêm de dentro mas sim de cima delas. Eram metros e metros de tecido que se destinavam a proteger do pó e da luz várias arcas de porão, enormes e fundas, que nunca vi vazias, mas onde, nessa altura, caberiam várias de mim, o que me fascinava.
Adorava ir às arrecadações com a minha Avó, quando o tempo arrefecia e era necessário colocar mais cobertores nas camas, e vê-la afastar cuidadosamente as chitas, abrir as arcas e desvendar os seus mistérios: os lindos papéis de florões azuis que as forravam, as inúmeras maçarocas de alfazema que exalavam um aroma intenso e fresco, vestidos de veludo, chapéus e bolsinhas bordados com continhas de azeviche, rolos de linho, o brilho do verniz dos chinelos de lavradeira e, no fundo, os peludos cobertores de papa, decorados com riscas, pensava eu, da bandeira nacional. A minha Avó respondia, com muita naturalidade, enquanto se mergulhava dentro das arcas, que alguns deles ainda eram monárquicos.
Quando voltei a pegar nestes panos, pareceu-me ainda sentir o aroma das arrecadações, das grande talhas de barro negro onde se conservavam em vinagre pimentos e pepinos e onde se curtiam azeitonas verdes, dos bidons cheios de espesso azeite e dos vapores dos vinhos tinto, branco e rosé que se escapavam das garrafeiras e dos pipos. Nesta época, era também o cheiro das maças Bravo de Esmolfe (que eu pensava só existirem na Quinta do meu Avô por terem o seu apelido), das uvas moscatel e dedos de dama, das pêra joaquina e pêra-pérola, dos figos e depois dos marmelos, arrumados em pirâmides nas enorme maceiras de castanho.

Não estivessem estes tecidos enfraquecidos pelo tempo, mandaria forrar com eles os sofás, faria almofadas  e cortinas para todas as janelas simplesmente porque ficam tão bem com tudo o que há hoje em minha casa.

unfinished Opus

Esta lã tem vindo a ser cobiçada por muitos lá em casa porque é macia "como o pelo de um gatinho" e "as cores parecem uma paisagem".  Se não me tivesse faltado uma meada, a camisola teria sido já usada nas refrescadas noites minhotas, directamente por cima dos vestidinhos de alças.

17 de agosto de 2010

Feira de Braga


Ir à feira de Braga não é para qualquer um. É um excesso de objectos, tradicionais ou chineses, de barros e de plásticos, de linhos e de acrílicos... É um exesso de cheiros, do pó das mercadorias e do pó do chão, das marmitas dos feirantes, das tranças de alhos e de cebolas, dos vimes acabados de entrançar. É um excesso de sons, da venda dos CDs aos pregões dos ciganos, passando pelos palavrões de fazer corar as pedras da calçada... É um excesso de gente, de emigrantes em fim de férias, de vendedores e suas famílias, e de viciados em feiras, como eu. É um excesso de coisas do bom e do melhor, para olhar e para comprar, e ninguém de lá sai de mãos vazias.
Eu já sou uma veterana, apesar de, desde há cerca de 10 anos, terem sido poucas as oportunidades de cá estar às terças-feiras. Mas sempre soube que aqui se encontram verdadeiros tesouros!
Por isso, hoje não fiquei surpreendida quando encontrei uma bancada pejada de botões antigos, daqueles de vidro, a que não resisti. Depois de desempoeirados e bem lavados, ficaram assim:


O Sr. José Luís Araújo (telem. 914149897) tem "mais lá disto em casa" e se houver interessados é favor avisar que estarão disponíveis logo na terça-feira seguinte. Parece que "já ninguém os quer". Será?

Havia também galões lindos, antigos, daqueles de algodão com patinhos e flores, e que já quase não se encontram em lado nenhum...