16 de setembro de 2010
7 de setembro de 2010
do pão
As sacas têm todas mais de 40 anos de idade. Foram feitas para serem diariamente cheias de cacetes de centeio estaladiços e pães de cantos de trigo fumegantes. As padarias foram escasseando e a minha Mãe insistindo em manter a uso as sacas do seu enxoval, não permitindo que se esvaziassem e que fossem esquecidas nas gavetas. Um dia, o cordão encarnado de uma desbotou irremediavelmente o que ditou a sentença das restantes. Como que numa cerimónia de rendição, não fosse mais alguma ficar ferida na luta contra os sacos de plástico, recolheram à arca, dobradas como bandeiras. Quando, de tempos a tempos, a arca se abria, encatava-me com cada uma delas por diferentes razões, por entre o aroma da cânfora. Porque os cravos pareciam verdadeiros embora feitos em ponto de cruz. Porque o tecido era o das almofadas onde eu no Verão dormia a sesta na varanda da minha Avó. Porque tinha um cordão laranja, dos verdadeiros, feito à mão, e já niguém sabia como se fazia. Por ser parecida com o edifício da panificação de Chaves, do Nadir, onde fui ao pão sozinha pela primeira vez. Por parecer irremediavelmente perdida e, não sei porquê, ter sido sempre a de que mais gostei.
4 de setembro de 2010
kids in the 80s...
24 de agosto de 2010
Tesouros da arca
Adorava ir às arrecadações com a minha Avó, quando o tempo arrefecia e era necessário colocar mais cobertores nas camas, e vê-la afastar cuidadosamente as chitas, abrir as arcas e desvendar os seus mistérios: os lindos papéis de florões azuis que as forravam, as inúmeras maçarocas de alfazema que exalavam um aroma intenso e fresco, vestidos de veludo, chapéus e bolsinhas bordados com continhas de azeviche, rolos de linho, o brilho do verniz dos chinelos de lavradeira e, no fundo, os peludos cobertores de papa, decorados com riscas, pensava eu, da bandeira nacional. A minha Avó respondia, com muita naturalidade, enquanto se mergulhava dentro das arcas, que alguns deles ainda eram monárquicos.
Quando voltei a pegar nestes panos, pareceu-me ainda sentir o aroma das arrecadações, das grande talhas de barro negro onde se conservavam em vinagre pimentos e pepinos e onde se curtiam azeitonas verdes, dos bidons cheios de espesso azeite e dos vapores dos vinhos tinto, branco e rosé que se escapavam das garrafeiras e dos pipos. Nesta época, era também o cheiro das maças Bravo de Esmolfe (que eu pensava só existirem na Quinta do meu Avô por terem o seu apelido), das uvas moscatel e dedos de dama, das pêra joaquina e pêra-pérola, dos figos e depois dos marmelos, arrumados em pirâmides nas enorme maceiras de castanho.
Não estivessem estes tecidos enfraquecidos pelo tempo, mandaria forrar com eles os sofás, faria almofadas e cortinas para todas as janelas simplesmente porque ficam tão bem com tudo o que há hoje em minha casa.
unfinished Opus
Esta lã tem vindo a ser cobiçada por muitos lá em casa porque é macia "como o pelo de um gatinho" e "as cores parecem uma paisagem". Se não me tivesse faltado uma meada, a camisola teria sido já usada nas refrescadas noites minhotas, directamente por cima dos vestidinhos de alças.
17 de agosto de 2010
Feira de Braga
Ir à feira de Braga não é para qualquer um. É um excesso de objectos, tradicionais ou chineses, de barros e de plásticos, de linhos e de acrílicos... É um exesso de cheiros, do pó das mercadorias e do pó do chão, das marmitas dos feirantes, das tranças de alhos e de cebolas, dos vimes acabados de entrançar. É um excesso de sons, da venda dos CDs aos pregões dos ciganos, passando pelos palavrões de fazer corar as pedras da calçada... É um excesso de gente, de emigrantes em fim de férias, de vendedores e suas famílias, e de viciados em feiras, como eu. É um excesso de coisas do bom e do melhor, para olhar e para comprar, e ninguém de lá sai de mãos vazias.
Eu já sou uma veterana, apesar de, desde há cerca de 10 anos, terem sido poucas as oportunidades de cá estar às terças-feiras. Mas sempre soube que aqui se encontram verdadeiros tesouros!
Por isso, hoje não fiquei surpreendida quando encontrei uma bancada pejada de botões antigos, daqueles de vidro, a que não resisti. Depois de desempoeirados e bem lavados, ficaram assim:
O Sr. José Luís Araújo (telem. 914149897) tem "mais lá disto em casa" e se houver interessados é favor avisar que estarão disponíveis logo na terça-feira seguinte. Parece que "já ninguém os quer". Será?
Havia também galões lindos, antigos, daqueles de algodão com patinhos e flores, e que já quase não se encontram em lado nenhum...
15 de agosto de 2010
10 de agosto de 2010
afinidades

Este livro é maravilhoso!
Vale a pena vê-lo com mais detalhe e fazer figas para que volte a ficar disponível na Retrosaria, onde o comprei.
Todos os modelos têm qualquer coisa de muito especial e, de tanto os ver, já os baptizei de "o casaco da F.", "o meu colete", "a camisola do J.", e por aí em diante, abrangendo familiares e amigos e tendo em conta várias datas festivas!
Estou ansiosa por deitar mãos à obra o que acontecerá logo que o termómetro o permita!
1 de agosto de 2010
Oriente
A minha paixão por tecidos japoneses vem de longe, penso que teve origem num kimono pendurado atrás da porta do quarto dos meus Avós...
Desde então, e com a facilidade da net e do correio, fui comprando alguns centímetros disto, outros daquilo, um pouco por instinto e sem nada perceber sobre o seu significado.
Mas do caos veio nascer a ordem desde que recebi este livro em que se desvenda a chave da belíssima estética dos padrões japoneses. De uma querida Amiga que, num deslumbrante Oriente, teve a generosidade de reconhecer uma joaninha...
Desde então, e com a facilidade da net e do correio, fui comprando alguns centímetros disto, outros daquilo, um pouco por instinto e sem nada perceber sobre o seu significado.
Mas do caos veio nascer a ordem desde que recebi este livro em que se desvenda a chave da belíssima estética dos padrões japoneses. De uma querida Amiga que, num deslumbrante Oriente, teve a generosidade de reconhecer uma joaninha...
28 de julho de 2010
revistas novas!
Adoro crochet, mas não é fácil encontrar modelos interessantes que nos apaixonem e nos façam querer deitar mãos à obra. Adorei o post da Anna Maria Horner sobre o assunto e a sugestão da revista Summer Crochet que, entretanto, também já tenho e é, de facto, inspiradora. A maior parte dos modelos, se feitos em lã, podem perfeitamente ser Winter Crochet! E já tenho alguns projectos em mente!
Pelo caminho, não resisti à última edição da revista da Rowan, já para a nova estação, e que também tem coisas maravilhosas.
27 de julho de 2010
Treasure-trove: Ansel Adams
Já aqui tinha falado dele, é um dos meu fotógrafos preferidos. A CNN conta que 65 negativos em vidro, comprados em 2000 por Rick Norsigian, um professor de Fresno (apaixonado pela busca de antiguidades em feiras e vendas de velharias), na Califórnia, numa venda de garagem, são da autoria do fotógrafo norte-americano Ansel Adams, valendo 200 milhões de dólares, bem mais do que os 45 dólares pagos pelo actual proprietário.
Como é que as fotografias, desconhecidas até então, passaram da mão de Ansel Adams para a dita venda de garagem é um verdadeiro mistério, o que torna ainda mais emocionante a observação das fotografias, pensa-se que tiradas entre 1919 e princípios dos anos 30.
As imagens estão temporariamente disponíveis em http://www.lostnegatives.com/, onde se conta a história desta descoberta, e onde se podem adquirir impressões das fotografias.
Ficam aqui alguns desses tesouros.
Como é que as fotografias, desconhecidas até então, passaram da mão de Ansel Adams para a dita venda de garagem é um verdadeiro mistério, o que torna ainda mais emocionante a observação das fotografias, pensa-se que tiradas entre 1919 e princípios dos anos 30.
As imagens estão temporariamente disponíveis em http://www.lostnegatives.com/, onde se conta a história desta descoberta, e onde se podem adquirir impressões das fotografias.
Ficam aqui alguns desses tesouros.
24 de julho de 2010
:-) ~~~~~~~~~~~~~
Antes de rumar para a tão desejada praia de águas quentes e verdes pinos, a minha querida F. ainda concedeu docemente figurar sob a manta, pronta há já mais de uma semana, mesmo a tempo dos 41ºC que se fazem sentir em Lisboa.
muito mais a norte
As visitas dos meus Pais a Lisboa são vividas com grande expectativa e alegria. Com eles vamos descobrindo o que sempre esteve dentro de nós.
Desta vez a minha Mãe trouxe-me um livrinho do séc. XIX, com letras para bordar em ponto de cruz e um marcador antigo, lindo, forrado e debruado em ceda rosa, e bordado a vermelho, mesmo como eu gosto, que pertenceram às tias de Lamego.
Desta vez a minha Mãe trouxe-me um livrinho do séc. XIX, com letras para bordar em ponto de cruz e um marcador antigo, lindo, forrado e debruado em ceda rosa, e bordado a vermelho, mesmo como eu gosto, que pertenceram às tias de Lamego.
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