21 de julho de 2008

actos falhados

"Los actos sintomáticos, que pueden observarse en una casi inagotable abundancia tanto en los individuos sanos como en los enfermos, merecen nuestro interés por más de una razón.
Para el médico constituyen inapreciables indicaciones que le marcan su orientación en circunstancias nuevas o desconocidas, y el hombre observador verá reveladas por ellos todas las cosas y a veces muchas más de las que deseaba saber.
Aquel que se halle familiarizado con su interpretación se sentirá en muchas ocasiones semejante al rey Salomón, que, según la leyenda oriental, comprendía el lenguaje de los animales."
(Sigmund Freud, in Psicopatología de la Vida Cotidiana)

Foi isso mesmo que eu hoje senti!

Freudian slip

Hoje, numa reunião com um cliente inglês sobre um assunto difícil que se arrasta há já muito tempo, querendo referir-se ao assunto objecto de análise, sai-se a consultora com a seguinte frase: "this issue we've been disgusting...."

Veja-se a subtileza da substituição inconsciente de "discussing" por "disgusting".
A protagonista nem se apercebeu do seu acto falhado. Nem mesmo quando, no final da sua frase, obteve do cliente, bom ouvinte, como resposta, o absoluto silêncio.

18 de julho de 2008

14 de julho de 2008

12 de julho de 2008

baú

desculpem, mas à míngua de tempo, vêm à luz as antiguidades que trago guardadas no meu baú...

Well I think I see another side
Maybe just another light that shines
And I look over now through the door
And I still belong to no one else

Maybe I hold you to blame for all the reasons that you left.
And close my eyes 'till I see your surprise
And you're leaving before my time.
Baby won't you change your mind?

Surely don't stay long I'm missing you now.
It's like I told you I'm over you somehow
Before I close the door
I need to hear you say goodbye.
Baby won't you change your mind?

I guess that hasn't changed someone
Maybe nobody else could understand
I guess that you believe you are a woman
And that I am someone else's man

But just before I see that you leave
I want you to hold on things that you said
Baby I wish I was dead.

Surely don't stay long I'm missing you now.
It's like I told you I'm over you somehow
Before I close the door
I need to hear you say goodbye
Baby won't you change your mind?

3 de junho de 2008

20 de maio de 2008

Já agora, mas só se não der muita maçada...

"Apesar de desconhecer se alguma vez algum pedófilo adoptou uma criança em Portugal, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, defendeu hoje que se introduzam algumas alterações à lei para evitar que tal situação possa acontecer." (Público, 20.05.2008)

running to stand still


Amiga, envio-te este pedaço de cidade, aguardando o teu regresso.

Sem um título


- Mamã, se eu nunca tivesse existido, onde é que eu estava agora?

- Em todo o lado ao mesmo tempo...

- ... e era bom se nunca tivesses existido também, porque assim estávamos juntas.

brincadeira

- Mamã?

- Sim?

- Qui é ito?

- São brincos.

- Brincos pa brincar?!

19 de maio de 2008

whish was mine


Fim-de-semana II

Tirei da estante um livro, em tempos comprado numa feira de usados.
A maior parte das folhas tinha escapado à guilhotina da gráfica, ainda fechadas de quatro em quatro.
Com antecipada satisfação e uma faca de lâmina fina e bem afiada, retomei do meu pai os gestos de mais remota lembrança, mão esquerda, firme, aberta em leque, de polegar entre as folhas, incisiva a mão direita, desencarcerado poemas, em fugidios exalos de pó-papel.
De tão deliciosa actividade fica, para sempre, numa das faces, o registo, em rebordo irregular de veludo branco.

Depois, li:
Desde el umbral de un sueño me llamaron…
Era la buena voz, la voz querida.

- Dime: ¿vendrás conmigo a ver el alma?...
Llegó a mi corazón una caricia.

- Contigo siempre....Y avancé en mi sueño
por una larga, escueta galería,
sintiendo el roce de la veste pura
y el palpitar suave de la mano amiga.
(Antonio Machado)

Fim-de-semana


16 de maio de 2008

O Insólito ou a Subjectividade do Objecto



Uma mulher nua, dormindo num sofá, retratada por Lucien Freud.

Chama-se Benefits Supervisor Sleeping, data de 1995, e foi vendido por 33,6 milhões de dólares, até agora a obra mais cara de sempre de um artista vivo.

Sue Tilley, ou "Big Sue", posou para Freud durante quatro anos, no início da década de noventa, e contou a estranheza que então sentiu ao ter de passar tantas horas nua diante do pintor.

Acrescentou: "É insólito pensar que uma pintura de mim possa valer tanto dinheiro." Pois é.