31 de maio de 2011

Македонија


Ainda não me cansei de as admirar desde que cheguei de e dissipei de vez as resistências que tinha para começar a tricotar meias.
As meias dos balcãs são bem conhecidas pela sua beleza e complexidade, embora a maior parte das que são feitas hoje em dia, para turista ver, sejam menos interessantes. Tive a sorte de encontrar uma loja de recordações, com um cantinho nos fundos onde se acumulavam peças de trajes tradicionais (da Macedónia e não só), antigas e empoeiradas, e que, segundo as vendedoras, eram só para decoração. Receptivas ao meu interesse, convidaram-me, de forma bastante persuasiva, a vestir um desses trajes, colocando o tradicional toucado e lenço, seguindo-se uma sessão de fotografias memorável que jamais ousaria mostrar aqui.
As meias e a túnica que trouxe são verdadeiros tesouros. No caso da túnica, o estado de conservação indicia já ter sido usada, o que faz com que goste ainda mais dela. Não resisti ao elaborado bordado num minúsculo ponto de cruz. As mangas são rematadas com uma lindíssima aplicação de renda de crochet e enfiadura de missangas de vidro em várias cores. Estou convencida que a túnica é sérvia e não macedónia. As meias em tricot são muito bonitas, com uma técnica de construção bem diferente da portuguesa, adorava saber decifrar os seus segredos.   
Na loja, disseram-me que há muitos estilos de meias na Macedónia, consoante a região, e acontece também nas zonas fronteiriças, como aquela em que estive, haver outras influências, neste caso, albanesas e kosovares.
Na primeira fotografia, são visíveis umas belas meias castanhas macedónias, de mulher, datadas de 1923,  e ao seu lado outras, provavelmente da mesma autoria, de homem, ambas da região de Skopia, not for sale. As brancas, que se vêem apenas parcialmente, são típicas de Ohrid.
Ohrid faz fronteira com a Albânia, do lado de lá do lago. Da imensa massa de água, cristalina e sem ondas, emerge um poderoso silêncio que se impõe num raio de vários quilómetros.
É à sua história, aos que a fizeram grande e à sua cultura popular que hoje a Macedónia recorre para afirmar a sua identidade, no rescaldo do sofrimento e perda das recentes décadas.

3 comentários:

Rosa Pomar disse...

Que maravilha, Joana! Mostras-me essas meias ao vivo um destes dias? E aposto que ficaste linda no traje :)

Anónimo disse...

Que rica viagem. Adoro as meias e trabalho em ponto cruz!

Anónimo disse...

Já agora, as meias artesanais portuguesas também mereceriam atenção...