5 de abril de 2011

À cora


Os dias de Sol são bons para isto.
Esta toalha, com uma linda e enorme renda de filet, já na juventude da minha Avó era por si considerada muito antiga, razão pela qual nunca a usou. Eu suspeito que seria também porque a toalha não se enquadrava na estética das cambraias e dos linhos, do bordado da Madeira e do richelieu.

Esteve décadas guardada em arcas, até à altura em que a minha Avó me ofereceu um lote "de coisas bonitas" ao qual juntou esta toalha, ressalvando não pertencer à categoria das primeiras por ser um "bocadinho tosca". E tem estado guardada deste então.

Passados tantos anos de confinamento, pareceu-me bem que visse a luz do século XXI.
Entretanto, adquiriu as marcas fatais de mais de um século de isolamento.

Guardo alguns objectos com os quais tenho uma relação tensa, não os uso nem nunca vi quem deles fizesse uso, o que conflitua com o ímpeto de me descartar daquilo a que não atribuo claramente um significado ou em que não vislumbro memórias.

Olhando para a toalha à cora, acho-a maravilhosa e fico feliz por a minha Avó ter intuído que eu a iria conservar.

1 comentário:

vera disse...

é bonita, merecia ser (re)usada !