Olhando para os meus tecidos (paralisada pelo instinto leigo de que nada melhor para os ordenar do que a mera sequência gradativa de cores e tons), ocorreu-me a expressão que a minha amiga usa, a propósito da habilidade para conciliar objectos e estilos diferentes e de diversas proveniências, "a arte da mistura". E não consigo deixar de sorrir. A "arte da mistura" pode também ser a arte de viver o dia-a-dia, a sabedoria na conciliação das diversas emoções, factos e percepções, na harmonização de tantas pessoas, objectos, lembranças, por vezes aparentemente inconciliáveis, que vamos acumulando em nós, e a que se somam o passado, o presente e futuro dos que connosco partilham a vida.
Fui ver como essa mistura tem acontecido por aqui e, concluo, nada que se pareça com uma mera ordenação gradativa das cores. E é com essa sensação (como poderia também dizer a minha amiga) de reassurance (nisto de palavras sintéticas, os ingleses batem-nos aos pontos) que vou voltar aos meus tecidos para preparar o workshop de terça.






3 comentários:
Bem regressada sejas ao Continente :) Lá te espero na terça!
Como gosto do teu post! Acontece-me fazer a mesma pergunta. Devo, nesta arte da mistura, uma questão de educação, uma questão de olhar de outra forma. Olho para o meu passado e o meu presente está impregnado dele. Bom workshop!
É impossível manter o baú do passado fechado para sempre, de vez em quando lá vou eu num regresso às origens. A mistura resulta do que somos e do que fomos! :-)
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